segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Mundo

France Presse
03/11/2014 08h18 - Atualizado em 03/11/2014 08h18

Naufrágio perto de Istambul deixa dezenas de mortos

Pelo menos 24 pessoas morreram, segundo a imprensa turca.
Barco transportava emigrantes afegãos e sírios para a Romênia.

Da France Presse
Navio com equipe de busca e resgate procura sobreviventes de naufrágio perto de Istambul nesta segunda-feira (3) (Foto: Osman Orsal/Reuters)Navio com equipe de busca e resgate procura sobreviventes de naufrágio perto de Istambul nesta segunda-feira (3) (Foto: Osman Orsal/Reuters)
Pelo menos 24 emigrantes clandestinos morreram nesta segunda-feira em um naufrágio na confluência do Estreito de Bósforo e do Mar Negro, perto de Istambul, informa a imprensa turca.
De acordo com a imprensa, sete passageiros do barco, que transportava emigrantes afegãos e sírios para a Romênia, foram resgatados com vida pela guarda costeira turca e nove permaneciam desaparecidos.
A direção da guarda costeira, procurada pela AFP, confirmou o naufrágio de uma embarcação de emigrantes, mas se recusou a divulgar um balanço.
Os meios de comunicação turcos destacaram que 40 pessoas embarcaram ao sul de Istambul, no Mar de Mármara. A embarcação depois subiu pelo Estreito de Bósforo em direção ao Mar Negro, onde naufragou por um motivo ainda indeterminado perto da cidade de Rumeli Fener.
A bordo também estavam 12 crianças e sete mulheres, segundo a imprensa.
A Turquia é uma rota importante para a emigração clandestina da Ásia e África para a Europa. Os imigrantes procedentes do continente africano e do Oriente Médio são detidos com frequência no país e os naufrágios são comuns.
A guerra na Síria aumentou o número de emigrantes que passam pela Turquia para tentar entrar na União Europeia, em sua maioria através do Mar Mediterrâneo até a Grécia, que se viu obrigada a reforçar as patrulhas marítimas.
As ilhas do Mar Egeu se tornaram em 2013 a principal rota dos guias que ajudam os clandestinos, depois que foram reforçados os controles na fronteira terrestre entre Grécia e Turquia.
03/11/2014 06h00 - Atualizado em 03/11/2014 06h00

Concursos com inscrições abertas reúnem 27.188 vagas em todo o país

Salários chegam a R$ 25.260,19 no Tribunal de Contas de Minas Gerais.
Há cargos para todos os níveis de escolaridade.

Do G1, em São Paulo
Pelo menos 111 concursos públicos no país estão com inscrições abertas nesta segunda-feira (3) e reúnem 27.188 vagas para cargos em todos os níveis de escolaridade. Os salários chegam a R$ 25.260,19 no Tribunal de Contas de Minas Gerais.
Além das vagas abertas, há concursos para formação de cadastro de reserva – ou seja, os candidatos aprovados são chamados conforme a abertura de vagas durante a validade do concurso.
Os órgãos que abrem inscrições para 3.108 vagas na segunda são os seguintes: Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Ilhabela (SP), Prefeitura de Águia Branca (ES), Prefeitura de Caldas Novas (GO), Prefeitura de Cataguases (MG), Prefeitura de Cuiabá, Prefeitura de Gurinhatã (MG), Prefeitura de Nova Era (MG), Prefeitura de São João da Boa Vista (SP), Prefeitura de São Lourenço do Oeste (SC), Prefeitura de Visconde do Rio Branco (MG) e Serviço Municipal de Saúde de Sertanópolis (PR).
03/11/2014 01h10 - Atualizado em 03/11/2014 07h58

Morre americana com câncer terminal que anunciou suicídio assistido

Brittany Maynard decidiu realizar suicídio assistido no último sábado (1º).
Ela tinha 29 anos e foi diagnosticada em janeiro com um tumor no cérebro.

Do G1, em São Paulo
Brittany Maynard, ao lado de seu marido, em visita ao parque nacional Grand Canyon (Foto: Reprodução/Facebook/Brittany Maynard)Brittany Maynard, ao lado de seu marido, em visita
ao parque nacional Grand Canyon
(Foto: Reprodução/Facebook/Brittany Maynard)
A americana Brittany Maynard, que tinha câncer em estado terminal e havia anunciado que daria fim à sua vida, morreu neste sábado (1º) ao realizar um suicídio assistido. A informação foi confirmada pelo grupo pró-eutanásia Compassion & Choices (Compaixão e Escolhas).
"Adeus a todos os meus queridos amigos e parentes que amo. Hoje é o dia que escolhi partir com dignidade diante de minha doença terminal, este terrível câncer cerebral que tirou tanto de mim ... mas que poderia ter tomado muito mais", escreveu em uma mensagem divulgada nas redes sociais e que foi compartilhada por milhões de internautas.
"O mundo é um lugar bonito, viajar foi meu melhor professor, meus amigos próximos e meus pais são os maiores doadores. Tenho inclusive um círculo de apoio ao redor da minha cama enquanto escrevo ... Adeus mundo. Espalhem boa energia. Vale la pena!".
Sean Crowley, porta-voz do grupo "Compassion & Choices", que luta pelo direito à morte com dignidade e que apoiou Maynard, informou que ela morreu no dia 1º de novembro. "Brittany faleceu, mas seu amor pela vida e a natureza, sua paixão e seu espírito perduram", disse a presidente da organização, Barbara Coombs Lee.
Mesmo após o anúncio da decisão de sua morte, ela chegou a afirmar, na quinta-feira (30), que o suicídio assistido poderia ser adiado, porque ela estava se sentindo bem. “Eu ainda me sinto bem o suficiente, e ainda tenho bastante alegria. Eu ainda rio com os meus amigos e minha família, e não parece ser o momento certo agora”, disse. Neste sábado, porém, de acordo com a Associated Press, ela optou pelo suicídio assistido, em sua casa, em Oregon.
A história de Maynard chamou a atenção dos norte-americanos. Após ser diagnosticada com câncer em estágio terminal, a californiana decidiuse mudar de São Francisco para o Oregon, porque esse estado norte-americano permite o suicídio assistido para pacientes terminais. Desde então ela dedicou suas últimas semanas de vida a uma campanha para que outros que se veem diante de uma morte iminente possam usufruir do mesmo direito.
Maynard foi diagnosticada em janeiro com um glioblastoma, um tumor no cérebro, e mais tarde ouviu dos médicos que só teria seis meses de vida.

"Depois de meses de pesquisas, minha família e eu chegamos a uma conclusão dolorosa: não existe um tratamento que possa salvar minha vida, e os tratamentos que me foram recomendados destruiriam o tempo que me resta", ela disse em um artigo que escreveu para o site da emissora CNN.

“Irei morrer no andar de cima, no quarto que divido com meu marido, com ele e minha mãe ao meu lado, e falecer pacificamente com música que eu gosto no fundo”, declarou Maynard, no primeiro vídeo que divulgou sobre o assunto.
Maynard planejava tomar um medicamento obtido com receita médica para tirar a vida quando sua dor se tornasse insuportável, de acordo com o Compassion & Choices.
Em 1997, o Oregon se tornou o primeiro estado norte-americano a permitir o suicídio assistido para pacientes em estado terminal. Washington, Montana, Vermont e o Novo México seguiram o exemplo desde então e são os outros quatro dos cinco únicos Estados dos EUA que autorizam o procedimento.
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Foto sem data mostra Brittany Maynard, que tem um câncer no cérebro e decidiu se mudar para Oregon e cometer suicídio assisitido  (Foto: AP Photo/Maynard Family)Foto sem data mostra Brittany Maynard, que tem um câncer no cérebro e decidiu se mudar para Oregon e cometer suicídio assistido (Foto: AP Photo/Maynard Family)

NOTÍCIAS
Briga em presídio da Paraíba deixa um morto e cinco feridos
Seis detentos foram encaminhados para o Hospital de Emergência e Traumas, no entanto, um deles morreu ao chegar à unidade hospitalar, segundo o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Walber Virgulino.
presídio-róger
Uma briga entre apenados da Penitenciária Fósculo da Nóbrega, também conhecido como  Presídio Roger, resultou na morte de um detento e outros cinco feridos durante o tumulto. As visitas aos apenados foram suspensas na manhã deste domingo (2) por conta da confusão, motivada por dívidas de drogas, segundo o diretor adjunto da unidade, José Mendonça Neto.

Seis detentos foram encaminhados para o Hospital de Emergência e Traumas, no entanto, um deles morreu ao chegar à unidade hospitalar, segundo o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Walber Virgulino. Os outros cinco estão em atendimento, mas o Hospital de Traumas não divulgou o estado de saúde dos apenados.

A confusão começou quando os pavilhões 2, 3 e 4 haviam sido abertos e 47 familiares já estavam no interior do presídio para as visitas, segundo o diretor adjunto da unidade, José Mendonça Neto. A briga começou na cela 10 do pavilhão 3, segundo José Mendonça Neto.

A equipe de segurança negociou a saída dos famílias e a situação foi contornada, segundo José Mendonça Neto. “A confusão não foi propriamente durante a visita, mas na hora em que abrimos os pavilhões para dar início às visitas.  Quarenta e sete familiares já estavam no interior do presídio, mas nós negociamos e de pronto fomos atendidos pelos apenados para que os familiares saíssem. Eles já estão recolhidos nas celas”, frisou.

As vítimas sofreram golpes, possivelmente com golpes de barrotes (pedaços de madeira) na cabeça, costas e tóxas, segundo José Mendonça Neto. A informação de que apenados teriam cortado a língua de um dos envolvidos não foi confirmado pela direção. “Nenhum detento foi furado ou cortado. Provavelmente eles usaram barrotes para machucar os apenados”, disse.

José Mendonça Neto afirmou que a direção deve investigar os motivos da briga, embora a situação já esteja sob total controle. “Não foi preciso apoio externo e já está tudo controlado dentro do presídio. Não foi princípio de rebelião e sim uma briga entre os próprios apenados que vamos investigar”, disse. Muitos parentes permaneceram na frente da unidade em busca de informações, enquanto a direção buscava a identificação dos apenados feridos para divugar a lista.

Identificação
Os agentes penitenciários estão no pátio da penitenciária identificando todos os envolvidos nas agressões. Eles serão encaminhados para a 2ª Delegacia Distrital, em Cruz das Armas, na capital. Lá será registrada a ocorrência para a Polícia Civil dar prosseguimento ao processo.

Entrada de drogas

 O secretário de Estado da Administração Penitenciária, Walber Virgulino, afirmou que após o fim das revistas íntimas, conhecidas como vexatórias, por ordem da Justiça, tem entrado muita droga nas unidades. “Depois que acabamos a revista íntima está entrando muita droga, especialmente, psicotrópicos”, frisou.

G1

domingo, 2 de novembro de 2014

02/11/2014 07h31 - Atualizado em 02/11/2014 08h13

Faltam 6 dias para o Enem: veja dicas de quem se deu bem no ano passado

Provas ocorrem nos dias 8 e 9 de novembro.
Conheça as estratégias de quem já passou pelos exames.

 A poucos dias da edição 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o G1 ouviu alunos que tiveram boas notas na prova do ano passado para dar dicas aos candidatos deste ano. Estudar ou relaxar nos últimos dias que antecedem o exame? Comer chocolate ajuda? Ainda dá tempo de revisar o conteúdo? Vale a pena fazer simulados? As provas do Enem serão no próximo sábado (8) e domingo (9). Veja o que dizem os candidatos que tiveram sucesso nas provas do ano passado e entraram na faculdade:

 'LEVE TRÊS MINUTOS EM CADA QUESTÃO'

 arte guilherme vale este (Foto: G1)

 
GUIA DO ENEM
Provas serão dias 8 e 9 de novembro

Campeão de aprovações no curso mais concorrido das instituições, Guilherme Marinho, de 19 anos, recomenda que os candidatos durmam cedo nos dias que antecedem as provas e caprichem na alimentação. “É necessário evitar alimentos que não estejam na dieta normal.” Ele foi aprovado em medicina na UFMG e Unifesp (pelo Enem), além de ter passado nos vestibulares da Unesp, Unicamp e USP. Optou por estudar medicina na USP.
Para o dia da prova é fundamental chegar cedo para evitar imprevistos que possam render um atraso. “É bom conhecer o local de prova para ver quanto tempo é necessário para chegar. Eu sempre tive medo de perder, então chegava umas duas horas antes.” Guilherme não gostava de levar chocolate, pois o que deixava enjoado, principalmente nos dias quentes, optava por barrinhas de cereal e água, mas não em excesso para “exagerar nas idas ao banheiro.”
Como a prova do Enem é longa e cansativa, Guilherme lembra que é necessário manter uma média de três minutos na resposta de cada questão. “Sempre vai ter uma questão mais rápida e outra que vale a pena olhar mais vezes, mas o segredo é reler sempre o enunciado.”
Para o dia redação, dica de Guilherme que garantiu nota 1.000, é primeiro ler o tema e a coletânea, seguir para as questões, e quando bater o cansaço voltar para o texto. “Coloquei as questões principais no rascunho, depois voltei para as questões. Na segunda volta, fiz o texto direitinho.”

'NOS ÚLTIMOS DIAS SÓ DESCANSEI'
arte willian (Foto: G1)
Aluno do Objetivo Integrado, Willian Werner saiu do ensino médio direto para a faculdade. Foi aprovado em engenharia de materiais na UFScar, em física no Instituto Federal de São Paulo pelo Enem, em química na Unicamp e engenharia de materiais na USP, onde se matriculou. Ele diz que o fato de ter participado de olimpíadas científicas o ajudou muito na preparação para as provas, pois deixou a carga de estudos menos pesada para os últimos anos.
"Também fiz provas antigas para me acostumar e ganhar ritmo, porque às vezes o problema nem a matéria em si é o cansaço da prova. Ao fazer os exames antigos, a prova soa mais tranquila para você, mas nos últimos dias não estudei, só descansei."
Na véspera, Willian recomenda apostar em algo que dê alívio ao candidato, mas que "não seja energicamente desgastante. "Eu andava de bicicleta ou ficava em casa deitado, era o que mais me tranquilizava. Consegui manter a calma."
TER CALMA E PRESTAR ATENÇÃO'
arte luiz (Foto: G1)
Luiz Sylvio Hermida, de 18 anos, cursou o ensino médio na escola Garriga de Menezes, no Rio de Janeiro, e saiu de lá direto para a faculdade. Foi aprovado em segundo lugar no curso de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo Enem. O universitário disse que se preparou para o exame durante todo o ensino médio, embora tenha dado mais enfoque no terceiro ano.
A dica de Luiz para quem vai encarar a prova este ano é acompanhar as atualidades principalmente no campo da política e da economia. Ele lembra que embora a prova não cobre conhecimento específico sobre o noticiário, a leitura ajuda a ampliar o repertório até para a produção da redação. “Outra dica é parar de estudar nos últimos dias, isso é só aumenta o nervosismo. É preciso descansar um pouco.
Para os mais desatentos, Luiz reforça o momento de escrever no cartão reposta exige atenção redobrada. “É preciso fazer com muita calma e prestar atenção para não errar. Eu mesmo errei três questões.”
APRENDA A ADMINISTRAR O TEMPO'
arte adriana (Foto: G1)
 
Adriana Elisa Bozzetto, de 18 anos, deixou São Paulo, capital, para estudar relações internacionais na Universidade Federal de Dourados (MS). Já no segundo ano do ensino médio começou a fazer cursinho para se preparar para os vestibulares, mas lembra que também usou a plataforma Geekie Games - em funcionamento também neste ano - o que lhe ajudou muito na preparação.
"Aconselho a utilização porque essa plataforma faz um diagnóstico das suas dificuldades em cada competência cobrada no Enem e ajuda com aulas online e exercícios voltados para melhor entendimento do conteúdo", diz
Outra dica da Adriana é estudar sociologia. "Me ajudou muito na redação, também é necessário treinar lógica e interpretação de texto. Lógica com exercícios na internet e questões passadas e para a interpretação de texto a melhor preparação é a leitura."
A estudante diz que é importante resolver as provas dos anos anteriores para que o candidato se organize em relação ao tempo. "O Enem é uma prova extensa que exige bastante leitura, então saber administrar o tempo é essencial, principalmente no segundo dia."

'LEVE CHOCOLATE NAS PROVAS'
arte matheus vale este (Foto: G1)
Matheus Evangelista de Souza, de 17 anos, teve sucesso no Enem conseguiu vaga na UFScar, mas decidiu cursar engenharia elétrica na USP. Ele diz que na reta final concentrou o tempo fazendo simulados de edições anteriores dos exames. “Descobri as áreas em que estava deficiente e também me acostumei com o ritmo das provas. Mas não recomendo forçar a barra, se você está cansado é melhor descansar e depois voltar aos estudos, rende muito mais do que continuar direto.”
Para a véspera da prova, a dica de Matheus é tirar o dia para relaxar, seja em um parque ou em um encontro com os amigos para aliviar a tensão. “Também é necessário comer refeições leves e dormir bem cedo, para acordar no outro dia descansado e na hora.” Ele não dispensou o chocolate durante os exames. “Nos dias decisivos sempre fui acompanhado por uma barra. Chocolate estimula a produção de serotonina, deixa nosso humor um pouco melhor pra encarar os vestibulares.”

  RELAXE UNS DIAS ANTES DA PROVA'

arte isabella vale este (Foto: G1)
Para se preparar para disputar uma vaga no curso de arquitetura, embora já tivesse talento para desenhar, Isabella Courel, de 18 anos, fez um curso preparatório de quase um ano. Também não descuidou dos estudos do conteúdo do ensino médio. Para ela, o nervosismo foi um vilão. “Me atrapalhou um pouco, se não tivesse tão angustiada, poderia ter ido melhor. É preciso tentar ficar tranquilo.”
“Também é preciso relaxar uns dias antes da prova, fazer algo que gosta, conversar com amigos, mas nada de sair para jogar futebol para não correr o risco de sofrer uma lesão”, diz.
Isabella afirma que cada candidato deve procurar o que mais lhe acalma. Durante o período de estudos, ela usou as redes sociais com moderação para não perder o foco e não teve problemas. “Mas eu também não sou muito fissurada, gosto de saber o que está acontecendo com os meus amigos, mas sem excessos.”
'MOMENTO É DE REVISAR'
arte monique (Foto: G1)
Foram dois anos de cursinho, um deles com dedicação exclusiva aos estudos para conseguir a tão sonhada vaga. Para Monique Ramos, de 20 anos, nesta reta final antes da prova o tempo deve ser aproveitado para revisar os conteúdos. “Não é hora de dar atenção para o que ficou para trás. Não é o momento de aprender, e sim, de revisar.”
Na hora da prova, a estudante optou por fazer as questões que tinha mais facilidade, por isso a parte de exatas ficou por último. No dia da redação, aproveitou que a “mente estava descansada” e escreveu primeiro o texto, antes de ir para as perguntas. “A parte mais difícil foi manter a calma.”
'DEIXE AS QUESTÕES DIFÍCEIS PARA DEPOIS'
talita arte (Foto: G1)
Formada em enfermagem há sete anos, Talita Keller, de 29 anos, trabalhava no Programa Saúde da Família na Zona Leste de São Paulo, mas desistiu do emprego para se dedicar aos estudos e conseguir uma vaga no curso de medicina. Ela teve bom desempenho no Enem 2013, conquistou algumas vagas na Federal da Bahia, do Sergipe, da Fronteira Sul e dos Vales do Jequitinhonha, mas optou por não se matricular e continuar os estudos no Etapa para tentar uma vaga em uma universidade de São Paulo.
"O que mais me ajuda é fazer os simulados. Pegar as provas anteriores, responder, corrigir e criar uma resistência de prova. O Enem é uma prova cansativa e vi muita gente desistindo de fazer a prova inteira, tem de ter resistência", diz.
Talita afirma que 48 horas antes dos exames para de estudar e tentar relaxar. "Controlar o nervosismo é difícil, mas sou evangélica e a igreja é um grande apoio que tenho. A oração me acalma, me ajuda muito, além do apoio da minha família e esposo." No dia da prova, a enfermeira responde as questões na sequência, mas não perde tempo com as mais difíceis. Pula e depois retorna nela. "Em 90 questões, por exemplo, deixo umas 15 para trás, depois retomo."

Bom exemplo de vida.


02/11/2014 09h02 - Atualizado em 02/11/2014 09h02

Ministra do TST, ex-doméstica, lembra trajetória: 'Acreditava que daria certo'

Nascida na roça, ela começou a trabalhar aos 14 anos para poder estudar.
Delaíde se define como persistente e planeja cursar inglês e fazer mestrado.

Raquel Morais Do G1 DF
A ministra Delaíde Miranda Arantes em seu gabinete no Tribunal Superior do Trabalho (Foto: Raquel Morais/G1)A ministra Delaíde Miranda Arantes em seu gabinete no Tribunal Superior do Trabalho (Foto: Raquel Morais/G1)
O gabinete de 70 metros quadrados com vista privilegiada do Lago Paranoá em nada lembra a casa simples das fotos que decoram a mesa da ministra do Tribunal Superior do Trabalho Delaíde Alves Miranda Arantes, de 62 anos. As imagens são um registro da trajetória da magistrada, que aos 14 anos deixou a zona rural de Pontalina, no interior de Goiás, e passou a trabalhar como empregada doméstica na cidade para poder estudar.
Era uma saudade... Tinha dia que dava saudade de voltar [para a casa dos pais]. [Mas] Acreditava que daria certo. Se tem uma coisa que é minha é a persistência. Não vai dar certo não existe no meu dicionário"
Delaíde Alves Miranda Arantes,
ministra do Tribunal Superior do Trabalho
A decisão partiu dela mesma, que até então ajudava os pais no trato com as pequenas lavouras de feijão, arroz e milho. Por dois anos Delaíde se dividiu entre os cadernos e o escovão de aço da residência de uma professora e um contador em troca de menos de um salário mínimo.
"[Era] mais um suporte para os estudos. Papai sempre teve dificuldade financeira", lembra. "Eu não fazia o serviço todo da casa, ela [a patroa] também fazia algum serviço. Dava para conciliar com os estudos. Eu estudava à noite. Só tenho lembrança boa desse período."
A paixão pelo direito já se desenhava naquela época. Delaíde acompanhava as sessões do Tribunal do Júri e lembra que se sentia fascinada com as discussões. "[Eu gostava de ouvir] Os argumentos. O que é mais interessante é que ambos expõem os fatos como se tivessem razão. É muito instigante essa versatilidade que o direito tem", diz.
Pouco tempo depois, a mãe de Delaíde conseguiu emprego para ela de recepcionista do consultório de um médico casado com uma prima dela. Foi com a ajuda dele que ela conseguiu uma vaga para fazer o segundo grau em Goiânia. O ensino oferecido era profissionalizante, e ela optou por cursar contabilidade.
Em troca de moradia e alimentação, a ministra voltou a exercer a atividade de doméstica, mas sem receber salário. Depois, trabalhou em um escritório de advocacia e em uma revendedora de tratores e assim conseguiu dinheiro para dividir uma casa com uma prima. As experiências a fizeram confirmar a vocação pelo direito.
Fotos feitas em zona rural de Pontalina, onde a ministra Delaíde Arantes morou até os 14 anos; na primeira imagem, ela abre porteira do sítio; na segunda, casa da família; na terceira, ela percorre caminho por córrego, como na adolescência; na quinta, outra visão da casa (Foto: TV Globo/Reprodução)Fotos feitas em zona rural de Pontalina, onde a ministra Delaíde Arantes morou até os 14 anos; na primeira imagem, ela abre porteira do sítio; na segunda, casa da família; na terceira, ela percorre caminho por córrego, como na adolescência; na quarta, outra visão da casa (Foto: TV Globo/Reprodução)
"Era uma saudade, tinha dia que dava saudade de voltar [para a casa dos pais]. [Mas] Acreditava que daria certo. Se tem uma coisa que é minha é a persistência. Não vai dar certo não existe no meu dicionário", lembra.

Delaíde passou para direito aos 23 anos, em uma faculdade particular. Até se formar, quatro anos depois, ela trabalhava de dia e estudava à noite. Meses antes de colar grau, pediu demissão e começou a estagiar em um escritório de advocacia trabalhista. A indicação veio de um professor, que fez uma consulta aos alunos em sala de aula.
A vivência que tinha, os casos que pegou e a possibilidade de conciliar o trabalho com a criação das duas filhas fizeram com que ela tomasse gosto pela área. Dois anos depois, ela virou sócia do escritório. Ao todo, Delaíde passou 30 anos advogando.
"Se tivesse que escolher de novo, não seria diferente. A relação capital-trabalho é uma relação muito conflituosa, mas fascinante ao mesmo tempo", diz. "Eu diria que em cada fase da carreira a gente lida com situações diferentes. Advoguei muito para sindicatos, aí veio uma outra fase em que também advoguei para empresas. Essa noção de advogar para trabalhadores e também para empresas é muito boa."
A ministra Delaíde Miranda Arantes, de 62 anos (Foto: Delaíde Miranda Arantes/Arquivo Pessoal)A ministra Delaíde Miranda Arantes, de 62 anos
(Foto: Delaíde Miranda Arantes/Arquivo Pessoal)
A indicação para o cargo no TST foi feita pela Ordem dos Advogados do Brasil no começo de 2011. Desde então, ela já julgou mais de 26 mil processos. Outros 13 mil estão para análise, e a meta é atender a pelo menos mil por mês.

Para Delaíde, as vivências que teve na juventude a ajudam a ter uma “sensibilidade maior” durante as audiências. “Amplia muito a minha visão. Discutimos muito a neutralidade do magistrado, porque para julgar ele precisa ser justo. Mas, na verdade, a gente traz toda a experiência que a gente tem de vida. E essa convivência social é importante. O judiciário não está longe da sociedade. São desafios bem diferentes, mas que eu posso aproveitar a minha experiência prática.”
Entre as principais bandeiras defendidas pela ministra estão o combate à exploração infantil e a garantia de direitos àquelas pessoas que, como ela um dia, se dedicam a cuidar da casa dos outros. A magistrada também defende maior reconhecimento dos trabalhadores rurais e igualdade entre homens e mulheres.
“Olhando para trás, eu, felizmente, não fui explorada, mas não defendo o trabalho antes dos 18 anos. E se tem um trabalho que é muito invisível é o trabalho doméstico”, declarou. “Eu também tenho uma preocupação grande com a execução trabalhista. De todos os processos que chegam ao fim, apenas 30% se efetivam. E isso é importante tanto para o trabalhador quanto para a empresa. É fundamental que se tenha a garantia de que o trabalhador vá receber seu crédito.”
A ministra Delaíde Miranda Arantes durante a adolescência (Foto: Delaíde Arantes/Arquivo Pessoal)A ministra Delaíde Miranda Arantes durante a adolescência (Foto: Delaíde Arantes/Arquivo Pessoal)
A preocupação é tão grande que Delaíce conta que é impossível não levar trabalho para casa. Casada com o ex-deputado federal Aldo Arantes (PCdoB-GO) e mãe de duas filhas, de 33 anos e 31 anos, ela sonha em conseguir conciliar as atividades com os cuidados aos três netos.
Ela conta que também almeja fazer um mestrado e aprimorar o inglês. Além disso, destaca o gosto pela leitura. Os escritores preferidos são Machado de Assis, José de Alencar e Érico Verissimo, afirma.
A ministra Delaíde Miranda Arantes, em seu gabinete no Tribunal Superior do Trabalho (Foto: TV Globo/Reprodução)A ministra Delaíde Miranda Arantes, em seu gabinete no Tribunal Superior do Trabalho (Foto: TV Globo/Reprodução)
PEC das domésticas
Mesmo orgulhosa da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que equipara direitos de domésticos a de outros trabalhadores, Delaíde diz acreditar que ainda é preciso mais. A medida passou a garantir salário-mínimo, férias proporcionais, horas extras, adicional e FGTS às domésticas.
Elas são fundamentais para mim, porque, se não cumprirem o trabalho delas, vou ter que ir para casa para fazer. É por isso que eu nunca consegui entender porque elas não teriam FGTS, por exemplo, antes da emenda. Na minha casa, elas têm os mesmos direitos que todo trabalhador tem. O volume de serviço é grande, e eu tenho nelas inteira confiança"
Delaíde Alves Miranda Arantes,
ministra do Tribunal Superior do Trabalho
“O serviço é prestado a uma pessoa física, que de forma direta não visa lucro. Eu defendo a igualdade. Estamos em uma transição para a igualdade plena dos direitos, mas ainda tem um convencionalismo em certos setores da sociedade de que o trabalho braçal não precisa de tanta proteção. Veja, são 7 milhões de trabalhadores domésticos e mais de 60% deles são mulheres negras”, disse. “[A igualdade] é o meu sonho e o que considero justo.”
Uma das 27 ministras do TST, a magistrada conta que tem duas empregadas e que as incentiva a estudar. A do apartamento em Goiânia é formada em história, e a de Brasília está concluindo o segundo grau.
“Elas são fundamentais para mim, porque, se não cumprirem o trabalho delas, vou ter que ir para casa para fazer. É por isso que eu nunca consegui entender porque elas não teriam FGTS, por exemplo, antes da emenda. Na minha casa, elas têm os mesmos direitos que todo trabalhador tem. O volume de serviço é grande, e eu tenho nelas inteira confiança”, disse.


02/11/2014 07h38 - Atualizado em 02/11/2014 07h38

Mulher é condenada a 1 ano de prisão no Irã por tentar ver jogo de vôlei

Campanha on-line pede libertação Ghoncheh Ghavami.
Ghoncheh foi acusada de 'propaganda contra o Estado'

 Um tribunal do irã condenou a um ano de prisão uma mulher com dupla nacionalidade, iraniana e britânica, por tentar ver uma partida de vôlei, o que viola as leis de segregação que proíbem mulheres de assistir a eventos esportivos masculinos, informou seu advogado neste domingo.

Campanha on-line pede libertação Ghoncheh Ghavami (Foto: Reprodução/Change.org)
Campanha on-line pede libertação Ghoncheh Ghavami (Foto: Reprodução/Change.org)       

"Hoje, o presidente do tribunal me mostrou a sentença, na qual minha cliente é condenada a um ano de prisão", disse à agência de notícias ILNA Mahmoud Alizadeh Tabataí, o advogado da jovem detida, Ghoncheh Ghavami.

Ghavamí, de 25 anos, estudante de Direito na Universidade de Londres e graduada na Escola de Londres de Estudos Orientais e Africanos (SOAS), foi detida em 20 de junho após ir com várias ativistas dos direitos das mulheres a uma partida da seleção iraniana de vôlei no estádio Azadi de Teerã.
As jovens se manifestaram fora do centro esportivo exigindo liberdade para que as mulheres possam comparecer como público a este tipo de evento.
Várias delas foram detidas pelas Forças de Segurança e liberadas sob fiança após poucas horas, mas Ghavami retornou à delegacia dez dias depois para reivindicar seus objetos pessoais e voltou a ser detida.
Ela é acusada de "propaganda contra o Estado" e passou parte de sua detenção em uma cela de isolamento na prisão de Evin, no norte de Teerã.
Segundo a imprensa britânica, ela começou uma greve de fome em 1º de outubro, que durou 14 dias, o que foi negado pelas autoridades judiciais iranianas.
Ela foi julgada no dia 14 no Tribunal Revolucionário de Teerã.
Sua detenção provocou o início de uma campanha internacional exigindo sua libertação.
A plataforma www.change.org recebeu uma campanha intitulada #FreeGhonchehGhavami (Libertem Ghoncheh Ghavami), já assinada por mais de 700 mil pessoas e a organização Anistia Internacional também pede sua libertação.